2010/05/30

erakusketa | Manhattan, la ciudad de las historias

Imagen: El País
La ciudad de las historias
La ciudad de las multitudes es también, sin que haya contradicción en ello, la más solitaria. El aire que se respira es el de una gozosa transgresión, un movimiento de búsqueda constante. Manhattan necesita mirarse periódicamente a sí misma y comprobar cada vez que lo esencial no ha cambiado. Con movimientos activistas como el gay, se produjo una drástica transformación de las prácticas artísticas. Apocalipsis y resurrección urbanas en un cíclico sucederse idéntico al juego de la vida y la muerte
Eduardo Lago 30/05/2010

exposiciones | Retratos del Bilbao de Ignacio Goitia

Imagen: El País
Retratos de Bilbao
Ignacio Goitia lleva a sus cuadros la arquitectura de la capital vizcaína. El pintor dice que mira la ciudad "con ojos de forastero". Su galerista le convenció para que pintara paisajes de la capital vizcaína. "Vivimos un momento de cambio urbano, como a finales del siglo XIX"
Eva Larrauri | El País, 2010-05-30

livro | Berlim : reconstruçao crítica = Berlin : critical reconstruction

Berlim : reconstruçao crítica = Berlin : critical reconstruction / Pedro Baía ... [et al.].
Porto : Circo de Ideias, 2008.
Ed. bilingüe portugués - inglés

ISBN 9789899599505*
Materias:
Ciudades - Renovación - Alemania.
Berlín (Alemania)
Biblioteca A-711.4.025 BER

A ‘Reconstrução Crítica’ proposta neste livro remete para duas interpretações - uma alusão directa ao método de planeamento urbano "Kritische Rekonstruktion" desenvolvido pelo arquitecto Josef Paul Kleihues, nos anos 80, durante a "Internationale Bauausstellung" – IBA; e uma vontade de reconstruir criticamente Berlim, de regressar à sua história, aos seus dilemas, às suas polémicas, reavaliando e debatendo os seus resultados.

Berlim: Reconstrução Crítica
© Pedro Baía | Nuances, os lugares da arquitectura, 2008-?-?


01. INTRODUÇÃO

No momento em que se aproximam os 20 anos da Queda do Muro, “Berlim: Reconstrução Crítica” pretende ser um espaço de debate sobre a história da arquitectura e do urbanismo do século XX, através da reflexão crítica da mítica experiência urbana de Berlim.
A partir da leitura do caso urbano de Berlim, um notável painel de conferencistas partilha e debate a sua experiência de confronto com a densa história da cidade, procurando criar um plano de reflexão comum que possa servir de base a outras cidades, a outros contextos. Berlim surge assim como pretexto, como um óculo através do qual podemos explorar a problemática da identidade, da memória e do tempo na cidade contemporânea. 

Por um lado, ao longo das três sessões que compõem o seminário internacional de arquitectura, um debate disciplinar vai explorando temas como a ‘Memória e Identidade em Berlim’, ‘Projectar em Berlim’ e ‘Política Urbana em Berlim’; por outro, no ciclo de cinema, um discurso fílmico vai percorrendo e revelando a Berlim dos vários tempos, numa sequência de quatro filmes incontornáveis, pontos de referência na linha da história da cidade. “Berlim: Reconstrução Crítica” não exclui nenhuma disciplina, embora se situe na linguagem da arquitectura e se apoie na expressão cinematográfica, porque o discurso do cinema também contribui para construir cidade.
 

El Cine es reflejo de la sociedad donde se produce y por eso estudiando la forma como las películas retratan nuestras ciudades sabremos más sobre ellas.”[1]
 

A ‘Reconstrução Crítica’ que propomos remete para duas interpretações: uma alusão directa ao método de planeamento urbano Kritische Rekonstruktion desenvolvido pelo arquitecto Josef Paul Kleihues, nos anos 80, durante a Internationale Bauausstellung – IBA; e uma vontade de reconstruir criticamente Berlim, de regressar à sua história, aos seus dilemas, às suas polémicas, reavaliando e debatendo os seus resultados.
“Berlim: Reconstrução Crítica” vem assim promover e relançar o debate em torno do caso paradigmático da cidade de Berlim com a possível distância temporal e física que aqui e hoje nos é permitida.

02. CIDADE PALIMPSESTO

Em 1978, no mítico livro Delirious New York, Rem Koolhaas afirma que Manhattan pode ser considerada a Pedra de Roseta do século XX, capaz de fornecer pistas essenciais para a compreensão de vários fenómenos contemporâneos.[2]
Koolhaas delimita o período entre 1890 e 1940 como o período em que a nova cultura escolhe Manhattan como laboratório para o estudo e desenvolvimento de um revolucionário lifestyle metropolitano – a Cultura da Congestão. 

Interpretamos Berlim como sendo a segunda Pedra de Roseta do século XX. A Pedra que Koolhaas encontrara estava, afinal, dividida em duas – uma em Nova Iorque, na América, a outra em Berlim, na Europa. Encarada como cidade palimpsesto, Berlim é, então, um testemunho físico e espacial de várias épocas, através do qual, tal como a Pedra de Roseta, permitiria a leitura de outras realidades, de outras situações. Uma Berlim encarada como cidade-texto, como lhe chama Andreas Huyssen:

Berlin as palimpsest, a disparate city-text that is being rewritten while earlier texts are preserved, traces restored, erasures documented – all of this producing a complex web of historical markers that point to the continuing heterogeneous life of a vital city ambivalent about both its built past and its urban future.”[3]

 

De facto, através da experiência de Berlim, podemos ler as consequências práticas do planeamento urbano e das teorias arquitectónicas desenvolvidas ao longo do século XX - desde a arquitectura industrial de Peter Behrens, ao expressionismo de Erich Mendelsohn e Hans Scharoun; da Internationale Bauausstellung – IBA, ao conjunto governamental da Berlim Capital; do modernista Hansaviertel ao pós-modernista Tegel. A Berlim, cidade, comparada a um museu da arquitectura do mundo, expõe obras de James Stirling, Aldo Rossi, Daniel Libeskind, Zaha Hadid, Giorgio Grassi, Rob Krier, Frank Gehry, Norman Foster, John Hejduk, Peter Eisenman, Rem Koolhaas, Siza Vieira, Rafael Moneo, Renzo Piano, entre outros. Mas, mais do que uma exposição de arquitectura, Berlim assumida como laboratório urbano, como oportunidade de experimentação projectual perante a cidade, disponível a uma constante revisão de metodologias e abordagens, oferece uma leitura da evolução do pensamento urbano ao longo do século XX.

03. LEARNING FROM BERLIN

Após o 11 de Setembro, na primavera de 2002, o Buell Center for the Study of American Architecture, da Universidade de Columbia, Nova Iorque, organiza uma série de conferências com o objectivo de reflectir sobre o atentado ao World Trade Center, segundo uma perspectiva histórica e cultural baseada na experiência de outras cidades que também sofreram desastres urbanos. O livro Out of Ground Zero,[4]
editado por Joan Ockman, reúne apresentações de nove cidades, case studies in urban reinvention, objecto de análise nesse ciclo de conferências. O caso de Berlim é analisado por Ralph Stern que, no mesmo período, organiza o seminário Berlin – Ideologies of Reconstruction, Re-Creation, Remembrance:

[...] a seminar of interest not only to architects, urbanists and historians, but also to those concerned with the intersection of urban studies and larger cultural issues of representation (the city in film), memory and identity. Often considered a paradigmatic urban laboratory, Berlin is uniquely suited for such studies. Students will be encouraged to work across traditional disciplinary boundaries, re-reading the physical topography of Berlin's multiple and varied pasts within the more ephemeral constructs of the urban imaginary.”[5]
 

Com Nova Iorque à procura de referências, as atenções voltam-se para Berlim. Learning from Berlin poderia ser o mote para a ‘reconstrução crítica’ que propomos. A sinfonia da cidade dos anos 20 retratada por Walter Ruttmann vê-se bombardeada na Segunda Guerra Mundial, assistindo ironicamente a uma destruição massiva do tecido urbano. O filme de Roberto Rosselini capta esta cidade obrigada a começar do zero e a angústia vivida pelos berlinenses no retorno à vida normal num confronto diário com o horror cristalizado nas ruínas dos edifícios. Por motivos ideológicos e económicos, muitas estruturas e edifícios que poderiam ser salvos são destruídos. Com a construção do Muro de Berlim, em plena Guerra Fria, as demolições continuam a provocar um rasgo profundo na malha urbana, tornando Berlim uma cidade onde a periferia se situa no centro, ao longo da faixa do Muro. A tensão originada por este rasgo permanece ainda hoje em Berlim. Um silêncio sempre presente. Depois dos bombardeamentos dos aliados, com a evolução do Muro, a cidade entra num estado de frozen layer, adiando a sua reconstrução. A presença de vazios urbanos, de terrenos expectantes, de edifícios abandonados, passa a ser uma das imagens da identidade de Berlim.

Essa imagem silenciosa marcada pelo vazio, por um passado trágico que envolve a atmosfera da cidade dos anos 80, é habitada pelos anjos de Wim Wenders. Der Himmel über Berlin,[6]
traduzido à letra, O Céu acima de Berlim, surge como metáfora da dimensão trágica de uma cidade dividida sob o mesmo céu. Nos anos 90, o silêncio é interrompido pela ruidosa banda-sonora captada por Hubertus Siegert, numa nova sinfonia de sons construtivos, demolições, betoneiras, martelos pneumáticos e gruas recortadas no céu de Berlin Babylon.

Neste contexto de intervenção perante a cidade destruída, a memória assume-se não por aquilo que é, pelo que resta, mas pela memória que esses restos ecoam, a nostalgia daquilo que foi, do tempo passado e da história perdida. Na cidade, as cicatrizes evidenciam-se como contínuas projecções de memórias, levantando questões que tocam o horror e a utopia.”[7]
 

O estudo de um caso extremo, a destruição da cidade, contribui para uma análise tensa e difícil. A radicalidade da situação oferece uma oportunidade única para possíveis leituras da condição vivida. No momento imediatamente após a destruição, há como que um despertar, uma súbita e terrível consciência do tempo. Neste contexto, Berlim surge como um caso paradigmático de uma cidade confrontada com a destruição - uma cidade profundamente europeia, com o peso da memória de vários conflitos; uma cidade que viveu e continua a viver num eterno confronto com a dimensão trágica do tempo.

A presença da memória constitui um dos temas chave da reflexão que propomos - a memória enquanto elemento dramático de uma cultura, ou a sua fabricação, na formatação de uma identidade colectiva.

One of the most surprising cultural and political phenomena of recent years has been the emergence of memory as a key cultural and political concern in Western societies, a turning toward the past that stands in stark contrast to the privileging of the future, so characteristic of earlier decades of XX century modernity”[8]


Berlim, em ‘reconstrução crítica’, torna-se pretexto para uma investigação sobre o seu drama, sobre o reflexo da violência na sua alma; Learning from Berlin, numa tentativa de compreensão da cidade contemporânea.


[1] GOROSTIZA, J., No Ciudades, Circo nº84, El Corazón del Tiempo, 2001, p.1.
[2]
KOOLHAAS, R., Delirious New York, A Retroactive Manifesto for Manhattan, (1978), p.9.
[3]
HUYSSEN, A., Present Pasts: Urban Palimpsests and the Politics of Memory, 2003, p.81.
[4]
OCKMAN, Joan (ed.); Out of Ground Zero: Case Studies in Urban Reinvention, 2002.
[5]
Extracto da apresentação do seminário Berlin – Ideologies of Reconstruction, Re-Creation, Remembrance, 2002.
[6]
Título original do filme de Wim Wenders. Curiosamente, traduzido para o português – Asas do Desejo, francês – Les Ailes du Désir e inglês – Wings of Desire.
[7]
OLIVEIRA, M., Memória da Cidade Destruída – Problemática da Intervervenção Contemporânea, 1998, p.83.
[8]
HUYSSEN, A., Present Pasts: Urban Palimpsests and the Politics of Memory, 2003, p.11.

Fuente | Nuances, os lugares da arquitectura

Enlaces
Institución | Berlim: reconstruçao crítica
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